Economia

Empresas japonesas registram aumento de 3,4% nos investimentos entre julho e setembro, revela Ministério

Entretanto, essa informação surge em meio a uma desaceleração no crescimento econômico

Empresas japonesas registram aumento de 3,4% nos investimentos entre julho e setembro, revela Ministério

Tóquio, Japão — Os gastos de capital das empresas japonesas entre julho e setembro apresentaram um aumento de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, registrando o décimo trimestre consecutivo de ganhos, conforme indicam dados divulgados pelo Ministério das Finanças e reportados pela Kyodo News.

No entanto, o crescimento da economia desacelerou, sinalizando preocupações sobre a robustez do cenário econômico do país.

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O montante total dos gastos de capital atingiu 12,41 trilhões de ienes, embora a desaceleração em relação ao aumento de 4,5% observado entre abril e junho tenha gerado incertezas. Apesar disso, muitas empresas planejam aumentar os gastos ao longo do atual ano fiscal, que encerra em março de 2024.

Os setores que impulsionaram os investimentos foram os fabricantes de equipamentos de transporte, empresas químicas e a área de serviços, indicando um esforço para elevar a capacidade de produção.

Os lucros antes dos impostos apresentaram um expressivo crescimento de 20,1%, atingindo um recorde trimestral de 23,80 trilhões de ienes, impulsionados pelo enfraquecimento do iene, conforme destacam os dados do ministério.

Yuichi Kodama, economista-chefe do Instituto de Pesquisa Meiji Yasuda, destaca que embora as empresas tenham planos otimistas para gastos de capital no atual ano fiscal, os números reais sugerem uma abordagem cautelosa.

Ele acrescenta que essa cautela se deve à fragilidade da economia chinesa e ao impacto persistente da escassez de peças, além da carência de mão-de-obra, fatores negativos para impulsionar investimentos e aumentar a produção.

O valor dos gastos de capital será utilizado para revisar os dados do Produto Interno Bruto (PIB) para o mesmo período. A economia japonesa registrou uma contração real anualizada de 2,1% no período julho-setembro, marcando a primeira em três trimestres, prejudicada pelos fracos gastos de capital e consumo privado. Contudo, Kodama espera que o valor do PIB seja revisado para cima.

O enfraquecimento da demanda interna levanta preocupações sobre a recuperação econômica do Japão. Um representante do ministério comenta que os dados indicam uma recuperação moderada da economia japonesa, mas destaca a importância de monitorar os impactos de uma desaceleração na economia global e na inflação sobre as empresas.

Setores como fabricantes de automóveis, que se beneficiam da redução na escassez de peças, e empresas alimentícias, que repassaram aumentos de custos aos consumidores, relataram aumento nos lucros. Entretanto, o aumento nos preços de bens de uso diário atenuou o sentimento dos consumidores.

Diante desse cenário, o governo japonês compilou novas medidas para aliviar o impacto inflacionário, incluindo cortes nos custos dos combustíveis e iniciativas para aumentar o rendimento disponível por meio de cortes de impostos e auxílios em dinheiro.

Os dados foram obtidos por meio de uma pesquisa do ministério, que entrevistou 32.557 empresas capitalizadas em 10 milhões de ienes ou mais no trimestre, sendo que 22.920 delas, representando 70,4%, responderam à pesquisa.

Foto: Freepik

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